Alertas e riscos
Os erros mais comuns de quem usa pontos e milhas, explicados sem alarmismo: o que acontece, por que acontece e como evitar. Nenhum deles é fatal se você souber que existe.
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Skiplagging: o que é e por que não é para iniciantes
Skiplagging (ou "hidden city ticketing") é comprar uma passagem com conexão em que o destino real do passageiro é a cidade da conexão, e não o destino final do bilhete. A pessoa desembarca na escala e simplesmente não embarca no trecho seguinte.
Por que algumas pessoas tentam
Por causa da forma como as companhias precificam: uma passagem A → B → C às vezes custa menos que a passagem A → B vendida sozinha, porque a rota longa enfrenta mais concorrência ou a companhia quer ocupar o voo de conexão. O passageiro que quer ir para B vê o preço menor e compra o bilhete até C.
O que a prática envolve na prática
- Violação das regras da tarifa: os contratos de transporte da maioria das companhias proíbem o uso intencional de apenas parte dos trechos. Não é crime, mas é quebra de contrato.
- Cancelamento dos trechos seguintes: quando o passageiro não embarca em um trecho (no-show), a companhia cancela automaticamente todos os trechos restantes do bilhete. Isso inclui a viagem de volta, se estiver no mesmo bilhete.
- Bagagem despachada: a mala é etiquetada para o destino final do bilhete. Quem desce na conexão fica sem a bagagem. Em voos internacionais, há situações em que a companhia exige que a bagagem viaje com o passageiro.
- Alterações operacionais: a companhia pode mudar a rota, trocar a conexão por outra cidade ou transformar o voo em direto. O passageiro pode acabar em um lugar que não queria, sem direito a reacomodação para a cidade "escondida".
- Suspensão de conta e cobrança: companhias monitoram padrões repetidos. Há relatos de contas de fidelidade encerradas, milhas confiscadas e cobrança da diferença de tarifa.
- Emissão com milhas: em resgates, o programa pode estornar o resgate parcialmente ou não estornar nada; as taxas pagas não voltam.
Quem está começando com milhas ainda está construindo histórico nos programas, aprendendo a ler regras de tarifa e sem margem para lidar com uma viagem de volta cancelada, uma mala em outro país ou uma conta bloqueada com saldo dentro. O ganho é uma diferença de preço em um bilhete; a perda potencial é o saldo inteiro, a viagem e a confiança do programa. Este site não ensina a fazer skiplagging e não recomenda a prática.
Leia a análise completa no artigo Skiplagging: por que não é para iniciantes e o termo no glossário.
Como verificar se um site é oficial
Golpes com milhas costumam começar por um site ou app falso que imita o programa. Cinco verificações rápidas:
Leia o domínio inteiro, não só o nome
O que importa é o trecho imediatamente antes do primeiro "/" após o "https://". "programa.com.br" é diferente de "programa.com.br.promocoes-xyz.com" ou "programa-bonus.com". Fique atento a letras trocadas (o por 0, l por 1) e hifens extras.
Chegue pelo caminho oficial
Digite o endereço no navegador ou use o app oficial da loja de aplicativos. Evite clicar em links de mensagens, e-mails de "promoção imperdível" ou anúncios: prefira abrir o site conhecido e procurar a oferta lá dentro. Os domínios oficiais dos programas estão no comparador.
Desconfie de urgência e de pedidos incomuns
"Só hoje", "seus pontos vão expirar em 2 horas", "confirme sua senha para liberar o bônus". Programas legítimos não pedem senha, código de verificação ou dados de cartão por telefone, WhatsApp ou e-mail.
Confira a oferta dentro da sua conta
Uma promoção real de transferência ou compra de pontos aparece na área logada do programa ou do banco. Se só existe no link recebido, é sinal de alerta.
Verifique o cadeado e o certificado
O cadeado (HTTPS) indica conexão criptografada, mas sites falsos também podem tê-lo. Clique no cadeado e veja para qual domínio o certificado foi emitido. Combine essa checagem com as anteriores; nenhuma sozinha basta.
Mais em Como proteger sua conta e nos alertas de senha e sites falsos acima.
Por que não listamos promoções vigentes
Bônus de transferência, descontos em compra de pontos e campanhas de acúmulo mudam toda semana, às vezes todo dia. Uma lista aqui estaria desatualizada em pouco tempo e poderia levar você a agir com base em uma regra que já não existe. Em vez disso, ensinamos a avaliar qualquer promoção com o mesmo método.
Como avaliar uma transferência bonificada
- Descubra o seu custo por milheiro nos pontos de origem. Quanto você pagou, em média, por mil pontos do banco (anuidade, clube, compras)? Se não sabe, use a calculadora de custo do milheiro.
- Aplique o bônus. Um bônus de X% significa que cada mil pontos vira 1.000 × (1 + X/100) milhas. O custo do milheiro no destino cai na mesma proporção.
- Compare com a emissão que você já escolheu. Quanto custa a passagem em dinheiro e quantas milhas mais taxas ela exige? O valor por milheiro dessa emissão precisa ser maior que o seu custo pós-bônus, com margem.
- Confirme a disponibilidade antes. No site do programa emissor, com o preço final na tela.
- Leia as condições. Teto de pontos bonificados, prazo para crédito do bônus, necessidade de cadastro prévio, se vale para clube ou para todos, e validade das milhas no destino.
Seus pontos custaram R$ 28 por milheiro. Com bônus de 40%, o milheiro no programa aéreo sai por R$ 28 ÷ 1,4 = R$ 20. A passagem que você quer custa 25.000 milhas mais R$ 90 de taxas, ou R$ 800 em dinheiro. Valor por milheiro: (800 − 90) ÷ 25 = R$ 28,40. Como R$ 28,40 é maior que R$ 20, a transferência faz sentido. Sem o bônus (R$ 28 por milheiro), a margem praticamente desapareceria.
Faça a conta do seu caso na calculadora de transferência bonificada e leia o artigo completo.
Promoção boa é a que serve a uma emissão que você já definiu. Se a promoção veio antes do plano, o plano precisa vir antes da transferência.